DATASUS: SIM, SINASC, SIH, SIA ou SINAN? Qual base usar
Publicado: Atualizado: Por: Komesu, D.K.
Guia de referência dos principais sistemas de informação do SUS disponíveis no DATASUS: o que registram o SIM, o SINASC, o SIH, o SIA, o SINAN e o CNES, a cobertura temporal e o volume de cada base e qual delas responde a cada tipo de pergunta de pesquisa.
Quem abre o DATASUS pela primeira vez encontra uma sopa de siglas: SIM, SINASC, SIH, SIA, SINAN, CNES. Cada uma é um sistema de informação diferente, alimentado por um documento diferente, com unidade de registro, periodicidade e armadilhas próprias. A regra que resolve a maioria das dúvidas cabe numa frase: comece pelo evento que a sua pergunta conta. Se ela conta óbitos, a base é o SIM; nascimentos, o SINASC; internações pagas pelo SUS, o SIH; procedimentos ambulatoriais, o SIA; casos de doenças de notificação compulsória, o SINAN; e capacidade instalada (leitos, estabelecimentos, profissionais), o CNES.
A escala do acervo explica por que a escolha importa. Em 20 de outubro de 2026, o monitor Alpaca acompanhava 113 conjuntos de arquivos publicados pelo DATASUS no seu servidor de transferência, entre microdados e bases auxiliares. Só a produção ambulatorial do SIA soma 203,3 GB comprimidos; os leitos do CNES, 143,5 MB. Baixar a base errada custa horas de download e, pior, produz um número que não responde à pergunta. Este guia mostra o que cada sistema registra, até onde vai sua série histórica e qual deles usar em cada tipo de pesquisa.
O que é o DATASUS
O DATASUS é o Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde, órgão do Ministério da Saúde criado pelo Decreto nº 100, de 16 de abril de 1991. Segundo o próprio departamento, sua competência é prover os órgãos do SUS de sistemas de informação e suporte de informática para planejamento, operação e controle; ao longo de sua história, desenvolveu mais de 440 sistemas.[1]
Para o pesquisador, o DATASUS é, antes de tudo, o distribuidor dos dados produzidos pelos sistemas nacionais de informação em saúde. Ele os entrega por dois canais públicos:
- Transferência de arquivos (FTP): os microdados, registro a registro, em arquivos
.dbc(um formato DBF comprimido) organizados por sistema, UF e período. É a porta de entrada para quem precisa de definições próprias, cruzamentos ou modelos estatísticos. O acesso está descrito na página oficial de transferência de arquivos. - TabNet: o tabulador web, que gera tabelas agregadas (por UF, município, ano, faixa etária, causa) sem baixar nada. Está em Informações de Saúde (TabNet).
Um ponto conceitual evita confusão: o DATASUS opera e distribui, mas a gestão técnica de cada sistema é de áreas distintas do Ministério da Saúde. SIM, SINASC e SINAN são sistemas da vigilância em saúde; SIH e SIA são sistemas de faturamento da assistência; o CNES é o cadastro nacional de estabelecimentos. Essa origem define o que cada base mede bem e o que mede mal.
Tabela-resumo: qual sistema responde a qual pergunta
A tabela abaixo resume os seis sistemas mais usados. Período, número de arquivos e volume referem-se ao acervo monitorado pelo Alpaca em 20/10/2026 e mudam a cada nova publicação do DATASUS; o volume é o dos arquivos .dbc comprimidos.
| Sistema (dataset) | O que registra | Pergunta típica | Partição dos arquivos | Período no acervo | Arquivos | Volume |
|---|---|---|---|---|---|---|
SIM (sim-do-cid10) |
Declarações de óbito | De que morrem as pessoas, onde e com que idade? | UF / ano | 1996–2026 | 868 | 4,8 GB |
SINASC (sinasc-dn) |
Declarações de nascido vivo | Quantos nascem, com que peso, após quantas consultas de pré-natal? | UF / ano | 1994–2026 | 922 | 6,7 GB |
SIH (sih-rd) |
AIH pagas (internações no SUS) | Quantas internações, por qual diagnóstico, a que custo e com quantos dias? | UF / mês | jan/1992–ago/2026 | 11.211 | 23,9 GB |
SIA (sia-pa) |
Produção ambulatorial aprovada | Quantos exames, consultas e procedimentos ambulatoriais o SUS pagou? | UF / mês (em partes) | jul/1994–jul/2026 | 10.828 | 203,3 GB |
SINAN dengue (sinan-deng) |
Notificações de dengue | Quantos casos, onde, com que evolução? | Brasil / ano | 2000–2026 | 27 | 1,0 GB |
CNES leitos (cnes-lt) |
Leitos por estabelecimento | Quantos leitos (e de que tipo) existem, e quantos são SUS? | UF / mês | out/2005–set/2026 | 6.804 | 143,5 MB |
A Figura 1 traduz a tabela em um mapa de decisão: a pergunta define o evento; o evento define o sistema.

SIM: mortalidade e causas de morte
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde em 1975 e informatizado em 1979. Seu documento-base é a Declaração de Óbito (DO), preenchida pelo médico; cada registro do arquivo corresponde a uma DO.
As variáveis que mais importam são a causa básica (CAUSABAS, codificada pela CID-10), as linhas do atestado (LINHAA a LINHAD e LINHAII), a data do óbito (DTOBITO), sexo, raça/cor, escolaridade, idade e os municípios de residência (CODMUNRES) e de ocorrência (CODMUNOCOR). O layout de 2022 do arquivo de óbitos tem 87 variáveis.
Três cuidados práticos:
- Residência versus ocorrência. Taxas de mortalidade usam o município de residência; contar por ocorrência infla os polos hospitalares, que recebem pacientes de toda a região.
- Idade codificada. O campo
IDADEnão é a idade em anos: o primeiro dígito indica a unidade (horas, dias, meses ou anos) e os seguintes, o valor. Decodifique antes de criar faixas etárias. - Recortes prontos. Além do arquivo geral por UF, o DATASUS publica arquivos nacionais específicos de óbitos fetais, infantis, maternos e por causas externas (no acervo,
sim-dofet-cid10,sim-doinf-cid10,sim-domat-cid10esim-doext-cid10). A série anterior a 1996, codificada pela CID-9, fica em conjuntos separados (sim-do-cid09).
SINASC: nascimentos, pré-natal e peso ao nascer
O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) foi implantado oficialmente a partir de 1990 e registra cada Declaração de Nascido Vivo (DN). É a base para natalidade, prematuridade, baixo peso ao nascer, tipo de parto e cobertura de pré-natal, e o denominador natural de indicadores como a mortalidade infantil.
Entre as variáveis centrais estão o peso ao nascer (PESO, em gramas), a duração da gestação (GESTACAO, em faixas, e SEMAGESTAC, em semanas), o tipo de parto (PARTO), as consultas de pré-natal (CONSULTAS, em faixas, e CONSPRENAT, em número), os índices de Apgar (APGAR1, APGAR5), a idade e a escolaridade da mãe e o município de residência (CODMUNRES). O layout de 2022 tem 61 variáveis.
A combinação SIM + SINASC sustenta os principais indicadores de saúde materno-infantil. A taxa de mortalidade infantil, por exemplo, divide os óbitos de menores de um ano (SIM) pelos nascidos vivos (SINASC) do mesmo local e ano de residência:
Onde \(i\) é o município ou UF de residência e \(t\) o ano. Em municípios pequenos, o número de eventos é baixo e a taxa oscila muito de um ano para outro; agregue triênios ou regiões antes de comparar.
SIH: internações e custos hospitalares (AIH)
O Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) nasce do faturamento: cada registro do arquivo RD ("AIH reduzida") é uma Autorização de Internação Hospitalar (AIH) aprovada para pagamento. Por isso o SIH cobre internações financiadas pelo SUS, em hospitais públicos e privados conveniados, e não cobre a saúde suplementar (planos de saúde) nem internações pagas diretamente pelo paciente.
As variáveis-chave são o diagnóstico principal (DIAG_PRINC, CID-10), o procedimento realizado (PROC_REA), as datas de internação e saída (DT_INTER, DT_SAIDA), a permanência (DIAS_PERM), as diárias de UTI (UTI_MES_TO), o valor total pago (VAL_TOT), o desfecho em óbito (MORTE), o estabelecimento (CNES) e os municípios de residência do paciente (MUNIC_RES) e do hospital (MUNIC_MOV). O arquivo de agosto de 2024 tem 113 variáveis.
Os indicadores mais usados com o SIH são o custo médio por internação e a letalidade hospitalar:
Onde \(\mathcal{A}_{g}\) é o conjunto de AIHs do grupo \(g\) (um diagnóstico, uma UF, um ano), \(\text{VAL}_{\text{TOT}, j}\) é o valor pago à AIH \(j\) (campo VAL_TOT) e \(\text{MORTE}_{j}\) vale 1 quando a internação terminou em óbito.
Duas armadilhas recorrentes:
- Competência não é data de internação. Os arquivos são organizados pelo mês de processamento (
ANO_CMPT,MES_CMPT). Uma internação de dezembro pode ser apresentada em janeiro ou depois. Para séries por data do evento, useDT_INTERouDT_SAIDAe baixe meses posteriores ao período de interesse. - Uma internação pode ter mais de uma AIH. Internações longas geram AIHs de continuação, sinalizadas no campo
IDENT. Contar linhas sem esse filtro superestima o número de internações.
Para uma aplicação completa dessas métricas, veja a análise da epidemia de dengue de 2024 nos microdados do SUS, que cruza SINAN e SIH para medir hospitalizações, uso de UTI e custos.
SIA: atendimentos ambulatoriais, o gigante de 203 GB
O Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) registra a produção ambulatorial apresentada e aprovada pelos estabelecimentos que atendem pelo SUS: consultas, exames laboratoriais e de imagem, procedimentos, terapias. O arquivo de Produção Ambulatorial (PA) é o maior do DATASUS: 203,3 GB comprimidos no acervo, e as UFs mais populosas têm cada mês dividido em vários arquivos. Em julho de 2026, por exemplo, São Paulo foi publicado em quatro partes (A a D), de 105 a 139 MB cada, ainda comprimidas.
A diferença essencial em relação ao SIH é a unidade de registro. O SIA não é um cadastro de pacientes nem de episódios de cuidado: cada linha é um registro de produção, com o procedimento (PA_PROC_ID, na Tabela de Procedimentos do SUS), a quantidade aprovada (PA_QTDAPR), o valor aprovado (PA_VALAPR), o estabelecimento (PA_CODUNI), a competência (PA_CMP) e, quando informados, o CID principal (PA_CIDPRI), o sexo, a idade e o município do paciente (PA_MUNPCN). Para contar procedimentos, some PA_QTDAPR; contar linhas subestima ou distorce a produção.
Procedimentos de alta complexidade autorizados por APAC (quimioterapia, radioterapia, terapia renal substitutiva, medicamentos especializados, atenção psicossocial) também são publicados em arquivos próprios, mais detalhados por paciente. No acervo, aparecem como sia-aq, sia-ar, sia-atd, sia-am e sia-ps. Se a pergunta é sobre um desses tratamentos, comece por eles em vez de varrer os 203 GB do PA.
SINAN: doenças de notificação compulsória
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é alimentado principalmente pela notificação e investigação de casos das doenças e agravos da lista nacional de notificação compulsória, definida na Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017, e suas atualizações. Estados e municípios podem incluir outros agravos de interesse regional.
Diferentemente de SIM e SINASC, o SINAN não é um sistema único com um layout único: cada agravo tem sua ficha e seu arquivo. O acervo do Alpaca lista 56 conjuntos do SINAN, entre eles dengue, chikungunya, zika, tuberculose, hanseníase, sífilis (adquirida, em gestante e congênita), leishmanioses, meningite, intoxicação exógena, acidentes de trabalho e violência doméstica, sexual e outras violências. Os arquivos são nacionais e anuais: o de dengue, por exemplo, tem um arquivo por ano, de 2000 a 2026, e o layout de 2021 tem 121 variáveis.
Em quase todos os agravos, quatro grupos de variáveis organizam a análise: datas (DT_NOTIFIC e DT_SIN_PRI, a data dos primeiros sintomas, mais usada para curvas epidêmicas), local (ID_MUNICIP, onde foi notificado, e ID_MN_RESI, a residência), classificação final (CLASSI_FIN) e evolução (EVOLUCAO). A incidência é calculada sobre os casos prováveis ou confirmados, conforme a definição de caso do agravo:
Onde \(\text{Casos}_{i,t}\) são os casos do agravo com residência em \(i\) no ano \(t\) (excluídos os descartados) e \(\text{Pop}_{i,t}\) é a população residente estimada pelo IBGE.
O SINAN mede notificação, não ocorrência: sub-registro, atraso de digitação e mudanças na sensibilidade da vigilância afetam as séries. Compare anos com cautela e prefira o ano de início de sintomas ao de notificação.
CNES: a infraestrutura (estabelecimentos, leitos, profissionais)
O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) não registra eventos de saúde: registra capacidade. É ele que diz quantos estabelecimentos existem, que serviços oferecem, quantos leitos têm, com quais equipamentos e quais profissionais. Por isso é o denominador natural de indicadores de oferta e o elo para cruzar SIH e SIA por estabelecimento (o código CNES aparece em ambos).
O CNES é publicado em 13 subconjuntos mensais por UF no acervo, como estabelecimentos (cnes-st), profissionais (cnes-pf, 43,5 GB), equipamentos (cnes-eq), serviços especializados (cnes-sr) e habilitações (cnes-hb). O de leitos (cnes-lt) é pequeno e muito útil: cada linha é um estabelecimento × tipo de leito em uma competência, com o tipo (TP_LEITO, CODLEITO) e as quantidades existentes (QT_EXIST), disponíveis ao SUS (QT_SUS) e não SUS (QT_NSUS).
Como os arquivos são fotografias mensais do cadastro, uma série de leitos deve fixar o mesmo mês de referência em cada ano (por exemplo, dezembro) ou usar médias anuais, em vez de somar competências.
Cruzando bases: perguntas que exigem duas fontes
As perguntas mais interessantes raramente cabem em um único sistema. Os cruzamentos mais comuns:
| Indicador | Numerador | Denominador | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| Taxa de mortalidade por causa | Óbitos por residência (SIM) | População residente (IBGE) | Padronizar por idade antes de comparar regiões |
| Mortalidade infantil | Óbitos de menores de 1 ano (SIM) | Nascidos vivos (SINASC) | Mesmo local e ano de residência |
| Incidência de agravo | Casos prováveis (SINAN) | População residente (IBGE) | Ano de início de sintomas, residência |
| Letalidade hospitalar | AIHs com óbito (SIH) | AIHs do mesmo grupo (SIH) | Excluir AIHs de continuação |
| Pressão sobre leitos | Diárias de internação (SIH) | Leitos SUS existentes (CNES) | Mesmo tipo de leito e mesmo período |
Para as populações, o próprio DATASUS redistribui as estimativas usadas pelo Ministério da Saúde (no acervo, base-populacional-ibge-popt, com as estimativas enviadas ao TCU, e base-populacional-ibge-pops, por sexo e idade). Uma armadilha técnica atravessa todos os cruzamentos: os arquivos do DATASUS usam o código de município do IBGE com seis dígitos, sem o dígito verificador. Ao juntar com tabelas do IBGE, que usam sete dígitos, descarte o último dígito do código IBGE em vez de tentar completar o do DATASUS. Para usar o Censo como denominador populacional, veja o guia do Censo 2022 por município no SIDRA.
Microdados ou TabNet?
Nem toda pergunta exige microdados. O TabNet resolve bem quando a resposta é uma contagem ou uma soma em categorias que o tabulador já oferece: óbitos por causa, UF e ano; internações por capítulo da CID e município; nascidos vivos por tipo de parto. É rápido, oficial e fácil de citar.
Os microdados se tornam necessários quando:
- a definição do indicador não existe no tabulador (um grupo próprio de CIDs, uma faixa etária não padronizada, uma combinação de variáveis);
- é preciso filtrar registros com regras de qualidade (excluir AIHs de continuação, decodificar idade, tratar campos ignorados);
- a análise é multivariada ou exige modelos estatísticos;
- o estudo cruza bases no nível do estabelecimento ou do município com regras próprias;
- a pesquisa precisa ser reprodutível do arquivo bruto ao resultado, com o mesmo código rodando novamente quando o DATASUS republicar os dados.
Uma boa prática é usar o TabNet como conferência: depois de processar os microdados, compare um total simples (por exemplo, óbitos por UF em um ano) com a tabela oficial. Divergências apontam para filtros errados, arquivos faltando ou problemas de leitura.
Dados preliminares: o ano corrente ainda vai mudar
Os sistemas de registro contínuo publicam dados preliminares antes do fechamento oficial. No servidor do DATASUS, eles ficam em pastas separadas dos dados finais. Em 20/10/2026, o acervo monitorado registrava:
- SIM e SINASC: arquivos de 2025 e de 2026 ainda na pasta de dados preliminares; os finais vão até 2024.
- SINAN dengue: 2025 já entre os dados finais; 2026 preliminar.
- SIH, SIA e CNES: publicação mensal, com os meses mais recentes sujeitos a reapresentação e reprocessamento.
Na prática, números do ano corrente e do anterior devem ser apresentados como preliminares e reapurados quando a versão final for publicada. Comparações de "recorde" com dados preliminares são especialmente arriscadas: o ano em curso tende a crescer à medida que registros atrasados entram na base.
Como baixar e abrir os arquivos
O caminho oficial é o servidor de transferência de arquivos do DATASUS, organizado por sistema. Para quem prefere uma interface gráfica, o guia Como baixar arquivos do DATASUS com o FileZilla mostra o passo a passo. Antes de baixar, vale navegar pelo catálogo do Alpaca, que lista para cada conjunto o caminho no FTP, o tamanho, a data da última modificação e se o arquivo é preliminar; assim se estima o volume total antes de começar.
Os arquivos .dbc são DBF comprimidos e precisam ser descomprimidos antes da leitura. O passo a passo para abrir arquivos .dbc e convertê-los para CSV ou Parquet, no navegador, na linha de comando ou em Python, está em um guia próprio. Para quem vai montar um fluxo reprodutível em Python, com download, verificação e organização dos arquivos, o artigo sobre reprodutibilidade com os microdados do SINAN e do SIH discute a arquitetura de um pipeline. Em qualquer ferramenta, confira o resultado da leitura contra o TabNet antes de analisar: datas, códigos de município e CIDs devem ter o formato esperado. Para cruzar os dados de saúde com séries do IBGE e do Banco Central, veja o guia de APIs de dados econômicos em Python.
Perguntas Frequentes
O que é o DATASUS?
O DATASUS é o Departamento de Informação e Informática do SUS, criado em 1991 e vinculado ao Ministério da Saúde. Ele opera sistemas de informação do SUS e distribui publicamente seus dados, como microdados pelo servidor de transferência de arquivos e tabelas agregadas pelo TabNet.
Qual a diferença entre SIH e SIA?
O SIH registra internações hospitalares pagas pelo SUS, uma linha por AIH, com diagnóstico, dias de permanência, uso de UTI, valor e desfecho. O SIA registra a produção ambulatorial (consultas, exames, procedimentos e terapias sem internação) e conta procedimentos aprovados, não pacientes.
Onde encontrar dados de mortalidade por município?
No SIM. Para contagens simples, o TabNet tabula óbitos por município de residência, causa e ano. Para indicadores próprios, baixe os microdados do SIM por UF e ano e agrupe pelo campo CODMUNRES, lembrando que o código tem seis dígitos.
Os dados do DATASUS do ano atual são definitivos?
Não. O ano corrente e, em geral, o anterior são publicados como preliminares e mudam até o fechamento. Em outubro de 2026, os arquivos de 2025 e 2026 do SIM e do SINASC ainda estavam na pasta de dados preliminares do DATASUS.
Qual base usar para estudar uma epidemia de dengue?
O SINAN dengue dá os casos notificados, a classificação final e a evolução; o SIH dá as internações pagas pelo SUS com diagnóstico de dengue, com custos e uso de UTI; o SIM dá os óbitos por causa básica. Cada base mede uma etapa diferente da epidemia, e os números não precisam coincidir.
O SIH inclui internações por planos de saúde?
Não. O SIH registra apenas internações financiadas pelo SUS, inclusive em hospitais privados conveniados. Internações cobertas por planos de saúde ou pagas pelo paciente ficam fora da base.
Referências
- BRASIL. Decreto nº 100, de 16 de abril de 1991. Institui a Fundação Nacional de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 19 abr. 1991.
- BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde. Disponível em: planalto.gov.br.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre os sistemas e os subsistemas do SUS. Disponível em: BVS Saúde Legis.
- BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sobre o DATASUS. Disponível em: datasus.saude.gov.br. Acesso em: 20 out. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/sistemas-de-informacao/sim. Acesso em: 20 out. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/sistemas-de-informacao/sinasc. Acesso em: 20 out. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. O Sinan. Portal Sinan. Disponível em: portalsinan.saude.gov.br. Acesso em: 20 out. 2026.
- BITTENCOURT, S. A.; CAMACHO, L. A. B.; LEAL, M. C. O Sistema de Informação Hospitalar e sua aplicação na saúde coletiva. Cadernos de Saúde Pública, v. 22, n. 1, p. 19-30, 2006.
- JORGE, M. H. P. M.; LAURENTI, R.; GOTLIEB, S. L. D. Análise da qualidade das estatísticas vitais brasileiras: a experiência de implantação do SIM e do SINASC. Ciência & Saúde Coletiva, v. 12, n. 3, p. 643-654, 2007.
- LAGUARDIA, J. et al. Sistema de informação de agravos de notificação em saúde (Sinan): desafios no desenvolvimento de um sistema de informação em saúde. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 13, n. 3, p. 135-146, 2004.
- REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE (RIPSA). Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2008.
- SALDANHA, R. F.; BASTOS, R. R.; BARCELLOS, C. Microdatasus: pacote para download e pré-processamento de microdados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 9, e00032419, 2019.